Como ajudar o meu filho a ser autónomo? Filosofia Montessori
Quando falamos de parentalidade pensamos sempre que o importante é proteger e guiar os nossos filhos. E até aqui tudo certo! Mas será que as nossas ações permitem que os nossos filhos se tornem pessoas autónomas?
Maria Montessori começou a desenvolver o seu método educacional no início do século XX. De uma forma abrangente a sua pedagogia promove uma educação que contribui positivamente para o desenvolvimento da criança, respeitando as suas individualidades e promovendo a sua autonomia, autoestima e autoconfiança.
Um dos pilares da abordagem Montessori é a capacidade que, nós pais, temos de confiar nas potencialidades inatas dos nossos filhos! Para isso, é importante percebermos que o desenvolvimento da autonomia começa desde o nascimento.
Ajudarmos os nossos filhos a desenvolver autonomia não é deixá-los sozinhos, mas sim ajudá-los a atingirem as suas próprias conquistas. Quem nunca ouviu? “Não dês o peixe, ensina-o a pescar!”. No entanto todo este processo é morose, progressivo. Por isso é essencial termos tempo, paciência e acima de tudo AMOR!
Como é que a autonomia vai ajudar no desenvolvimento do meu filho?
Uma criança ao desenvolver a sua autonomia, torna-se uma criança segura de si mesma e das suas potencialidades, ajuda a criança a confiar no mundo que a rodeia e a sentir-se motivada para abraçar novos desafios ao longo da sua vida.
Como é que eu, pai/mãe, posso favorecer a autonomia dos meus filhos?
- Intervir apenas quando a criança pede ajuda, ou seja, deixar a criança encontrar por si mesma formas de resolver o problema. Caso não consiga podemos sempre perguntar “Queres que a mamã/papá ajude?”, assim estamos a transferir o poder de decisão para a criança.
- Permitir que o meio envolvente da criança seja adequado às suas possibilidades, ou seja permitir que a criança alcance o que precisa com os seus próprios meios.
- Evitar recompensar ou castigar a criança, uma vez que ao fazemo-lo estamos a desenvolver na criança o hábito de depender sempre da aprovação e reconhecimento do adulto. Então e o que devemos fazer? Devemos por exemplo dizer “Conseguiste!”, “Excelente trabalho!” ou seja valorizar a conquista da criança.
- Dar espaço à criança para explorar, estar presente para que se sinta segura, mas de forma discreta.
- Transmitir tranquilidade, estabilidade e regularidade nas rotinas do dia a dia.
- Dar limites. Os limites são essenciais para que a criança adquira de forma progressiva o controlo de si mesma, do seu corpo e das suas emoções.
Esperemos que este artigo lhe tenha sido útil. Agora vamos lá, mãos à obra e tente perceber quais as situações em que a sua intervenção é oportuna e efetivamente necessária e quais as situações em que não é pois está a impedir que o seu filho conquiste as coisas por si mesmo.
Referências utilizadas para a elaboração deste artigo:
- Rosa Barocio, Disciplina con amor. Como poner limites sin ahogarse en la culpa. Editorial Pax, México,2016
- http://www.growingcuriosity.org/2019/02/25/montessori-and-the-development-of-independence/
- Amanda Céspedes, Educar las emociones. Ediciones B, Barcelona, 2013
- Simone Davis, A Criança Montessori – De 1 a 3 anos – Um guia para a educação de seres humanos curiosos e responsáveis, Editorial Presença, julho de 2020
Author: Ana Gaspar
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