Publicidade Alimentar

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) a obesidade foi considerada a epidemia do século XXI.

Portugal encontra-se num dos cinco países europeus com taxas de excesso de peso mais elevadas, sendo que 31,5% das crianças e 14,8% dos adolescentes têm excesso de peso ou são obesos.  

As crianças e os adolescentes com excesso de peso ou obesidade apresentam um risco mais elevado de desenvolver doenças crónicas, ou seja para a vida, nomeadamente doenças cardiovasculares, metabólicas ou neoplásicas, como por exemplo: hipertensão arterial, diabetes, arteriosclerose, entre outras.

A alimentação é uma das necessidades essenciais para o desenvolvimento das crianças, não só no que diz respeito ao aspeto biológico como também pelo facto de envolver aspetos sociais, psicológicos e económicos.

 

Como actua a publicidade alimentar?

Como muitos sabemos, a opinião das crianças/ jovens é, em muitos lares, a mais importante quando é a altura de comprar determinado produto, ou seja, as crianças são muitas vezes os agentes de decisão familiar. Este facto leva a que muitas empresas entendam as crianças como um alvo atrativo no que se refere à publicidade alimentar. 

As crianças têm uma enorme capacidade para assimilar informação, ou seja, através da publicidade as empresas tentam persuadir as crianças e influenciar as suas preferências e os seus gostos.

Vários estudos referem que existe uma associação direta entre o tempo que as crianças dedicam a ver televisão e o seu peso, não só pela inatividade física mas também pela exposição excessiva à publicidade de alimentos com inúmeras calorias e pobres em nutrientes.

As crianças são um alvo fácil para as empresas uma vez que, são cognitivamente imaturas,  e não compreendem a natureza persuasiva da publicidade, tornando-as assim mais vulneráveis à publicidade alimentar. 

É de salientar que muitas vezes as empresas acabam também por utilizar desenhos animados ou celebridades para promover produtos com alto teor de sal, gorduras e açúcar, o que contribui para uma dieta desequilibrada e consequentemente excesso de peso.

 

O que é que os papás podem fazer para prevenir a obesidade e diminuir o impacto da publicidade alimentar?

  • Reduzir o tempo de exposição das crianças a publicidade alimentar não saudável;
  • Fazer uma alimentação equilibrada;
  • Apostar em escolhas mais saudáveis para abastecer a despensa e o frigorífico;
  • Falar acerca da importância da alimentação;
  • Envolver a criança na preparação das refeições;
  • Realizar jogos educativos com promoção da alimentação saudável (ex.: espetadas de frutas; adivinhar o alimento pelo tato, olfato e sabor; etc.)
  • Incentivar a criança a fazer exercício (ex.: passear no parque, andar de bicicleta, etc.)

Existem inúmeras estratégias para a prevenção da obesidade infantil. Esperamos com este artigo alertar os papás para o impacto da publicidade nas escolhas do vossos filhos e quais as consequências das mesmas. 

 

Referências utilizadas para a realização deste artigo:

  1. https://estudogeral.uc.pt/handle/10316/17955 (acedido a 26/11/2020)
  2. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22677722/ (acedido a 26/11/2020)
  3. https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/21125/2/obesidadeinfantil.pdf
  4. https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572018000400410&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt (acedido a 28/11/2020)
  5. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20183373/ (acedido a 28/11/2020)
  6. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19076742/ (acedido a 28/11/2020)
  7. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17998259/ (acedido a 29/11/2020)
  8. https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/cch.12189 (acedido a 29/11/2020)
  9. https://www.researchgate.net/publication/235904234_Food_advertising_and_television_exposure_Influence_on_eating_behavior_and_nutritional_status_of_children_and_adolescents (acedido a 30/11/2020)
  10. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24563260/ (acedido a 30/11/2020)
Author:
Enfermeira Especialista em Saúde Infantil e Pediatria.