Alergia Alimentar Bebé
O início da alimentação das crianças com alimentos sólidos é um marco emocionante para os papás. No entanto, traz muitas dúvidas e preocupações, especialmente sobre as alergias alimentares.
Mas afinal o que é a alergia alimentar? Quando diagnosticada é para toda a vida? Quais os alimentos que têm maior probabilidade de causar alergias? Como podemos evitar? Pretendemos responder a estas perguntas com este artigo.
Entende-se por alergia alimentar uma resposta imunológica de hipersensibilidade à ingestão de determinado alimento. Em idade pediátrica existe uma maior prevalência devido à imaturidade intestinal que só se encontra completamente desenvolvida após os 4 anos de idade.
A modificação dos hábitos alimentares, com a introdução de novos alimentos e com o aumento da utilização de produtos processados industrialmente, tem vindo a criar novas adversidades no que respeita às alergias alimentares.
Cada vez mais observamos o aparecimento de novas alergias com a ocorrência de reações, por vezes graves, associadas à ingestão de alergénios que se encontram nos alimentos já processados.
Em Portugal, apesar de não apresentar dados concretos, a Direção Geral de Saúde (2012) refere que o número de crianças e jovens com alergias e intolerâncias alimentares tem vindo a aumentar, daí a preocupação crescente em desenvolver referenciais em parceria com outras entidades para apoiar as escolas e a comunidade na resposta às necessidades especificas destas crianças.
Nos Estados Unidos da América, entre 1993 e 2006, o número de crianças tratadas por profissionais de saúde devido a alergias alimentares triplicou. Estima-se que cerca de 8% das crianças sofra de alergias alimentares e que 30,4% tenha diagnosticada mais do que uma doença alérgica (ex.: eczema, asma, renite, etc.).
A maioria das alergias alimentares assume, por norma, um caráter transitório, ou seja, as crianças adquirem uma tolerância clínica ao alergénio, no entanto algumas alergias assumem um carácter persistente e acompanham a criança e a sua família ao longo de toda a vida.
Quais os principais alergénios causadores das alergias alimentares?
Cerca de 90% das alergias alimentares em pediatria são causadas por apenas oito alergénios: proteínas do leite de vaca, soja, ovo, peixe, marisco, amendoim, frutos secos e trigo.
Quais as manifestações da alergia?
Por norma as reações ocorrem segundos ou minutos após a ingestão do alimento. Em algumas situações poderão ocorrer até 2h. São elas:
- Erupção cutânea (espécie de borbulhinhas) em redor da boca;
- Rubor e edema (vermelhidão e inchaço) da face;
- Prurido (comichão) nos olhos;
- Coriza (nariz a escorrer) ou obstrução nasal.
Em reações mais graves poderá ocorrer:
- Urticária;
- Angioedema (inchaço da boca, olhos, etc.);
- Dificuldade respiratória;
- Vómitos;
- Anafilaxia (resposta alérgica grave com diminuição da tensão arterial, falta de ar, dificuldade em engolir, perda da consciência ou mesmo morte quando não é rapidamente tratada.
Apesar de estas serem as manifestações mais comuns, não se esqueçam que cada criança poderá reagir de forma diferente. Por isso é impossível prever que tipo de reação a criança terá após a ingestão do alimento a que é alérgica. Deverá estar atento aos sinais.
Como posso evitar a alergia alimentar?
Introduza gradualmente os alimentos. Os papás deverão sempre que introduzir um novo alimento esperar entra 3 a 5 dias para introduzir um novo. Pois se introduzirem, por exemplo, 3 alimentos num só dia ao bebé, se ele fizer uma reação alérgica não saberão a qual deles foi.
Certifique-se que quando está a introduzir um alimento, existe um adulto que possa monitorizar a criança por pelo menos duas horas, para observar quaisquer sinais de reação.
Apesar de existirem alimentos com maior probabilidade de causar reação alérgica, como vimos anteriormente, de acordo com a Academia Americana de Pediatria não há problema de os introduzir na alimentação do bebé na altura indicada pelo seu pediatra assistente, ou seja, não evidências de que se esperar até que a criança cresça evite a alergia alimentar.
Crianças com pais e ou irmãos com alergia alimentar tem mais propensão para as desenvolver, nesse caso os papás deverão falar com o pediatra assistente do seu filho.
O que devem os papás fazer se o seu filho tiver uma reação alérgica?
- Pare imediatamente de alimentar a criança com o alimento que provocou a alergia;
- Estar atento aos sinais e sintomas da criança;
- Contacte a saúde 24 (808 24 24 24)
No caso de reações graves:
- Se a criança tiver dificuldades em respirar deverá sentá-la;
- Se a criança estiver a vomitar ou desmaiar deve colocá-la deitada de lado;
- Administre de imediato a epinefrina (EpiPen), se tiver disponível e de acordo com indicação do médico assistente;
- Ligue de imediato para o 112 e diga que o seu filho está a ter uma reação anafilática.
Atenção papás a criança poderá desenvolver uma segunda reação após a primeira reação anafilática. A esta segunda reação chamamos reação “bifásica”. Esta reação ocorre quando os sintomas melhoram, mas depois pioram, 4 a 24 horas após a primeira reação.
Esperamos ter ajudado. Quaisquer dúvidas não hesitem em entrar em contacto connosco.
Referências utilizadas para a realização deste artigo:
- http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0872-07542013000200003
- https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/54733/3/139109_1057TCD57.pdf
- https://www.webmd.com/parenting/baby/introducing-new-foods#1
- https://readysetfood.com/blogs/community/is-my-baby-having-an-allergic-reaction
- https://www.nhs.uk/conditions/baby/weaning-and-feeding/food-allergies-in-babies-and-young-children/
- https://www.aaaai.org/conditions-and-treatments/library/allergy-library/prevention-of-allergies-and-asthma-in-children
- https://www.aaaai.org/conditions-and-treatments/allergies/food-allergies
- https://www.aaaai.org/conditions-and-treatments/school-tools/anaphylaxis-food-allergy
Author: Ana Gaspar
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