O meu filho vai para casa com oxigénio, e agora?
Se o seu filho vai para casa com indicação para fazer oxigénio – oxigenoterapia, significa que necessita de uma quantidade de oxigénio maior que os 21% existentes no ar que respiramos. A quantidade de oxigénio que deve fazer será prescrita pelo médico, sendo importante cumpri-la, pois esta representa o valor mínimo necessário para uma adequada quantidade de oxigénio no sangue do seu filho, sem que este se torne, por outro lado, tóxico.
A utilização de oxigénio no domicílio é uma prática cada vez mais comum na pediatria e apresenta particularidades como:
- Ter em consideração o crescimento físico e o desenvolvimento neurológico da criança;
- Muitas crianças necessitam de oxigénio apenas por um período limitado de tempo;
- São necessários equipamentos específicos para permitir fluxos baixos de oxigênio;
- Todas as crianças necessitam de supervisão de um adulto.
E agora perguntam os papás: mas então como é que podemos fornecer o oxigénio ao nosso filho, em casa?
O oxigénio pode ser administrado através de óculos nasais ou máscara.
Fig. 1 – óculos nasais

Fig. 2 – máscara de oxigénio
E existem três fontes possíveis para o fornecimento do mesmo:
- Cilindros: reservatórios de oxigénio na forma gasosa, comprimido sob alta pressão;
- Concentradores: dispositivos elétricos que captam o ar ambiente, filtrando-o e aumentando a concentração de oxigénio;
- Oxigénio na forma líquida: armazenado no estado líquido a uma temperatura de -183ºC, num reservatório fixo e reservatório portátil;
Fig. 3 – Fontes de oxigénio (cilindro, concentrador, oxigénio líquido)
Que regras existem para uma utilização segura destas fontes de oxigénio?
- Devem ser mantidas na vertical e num piso plano;
- Devem ser mantidas longe de matéria inflamável (como o papel, a madeira), de equipamentos elétricos e fontes de calor (como a televisão e aquecedores – pelo menos 2 metros de distância) e de chamas vivas (como o fogão e a lareira – pelo menos 3 metros);
- Não fumar, nem usar cigarros eletrónicos;
- Não usar próximo de óleos, gorduras, cremes, sprays e solventes (como o álcool), devendo sempre mexer-se no equipamento com as mãos limpas;
- Não cobrir as fontes de oxigénio e arejar o local;
- Nunca deixar o fluxo de oxigénio aberto quando não estiver a ser utilizado;
- Evitar a utilização de roupas de cama sintéticas;
- Não transportar cilindros/reservatórios em veículos, exceto se portáteis, devendo estes ser fixos (evitando a projeção em caso de acidente) e não deixá-los nos veículos sem vigilância;
- Nunca utilizar ferramentas e quando abrir ou fechar um cilindro nunca se posicione diante da
saída da válvula.
E papás, atenção com o oxigénio líquido, pois em caso de contacto direto existe risco de queimadura!
E como posso monitorizar e avaliar em casa a eficácia do tratamento com oxigénio?
Através da utilização de um saturómetro, dispositivo que mede a saturação de pulso de oxigénio. É colocado maioritariamente na ponta do dedo da mão; em crianças mais pequenas pode ser utilizado no dedo do pé, ou mesmo no pé em bebés pequeninos. Há vários tipos e tamanhos de sensores e é importante que o mesmo se adapte ao local em que será utilizado.
É também essencial estar atento às características da respiração do seu filho: quantas vezes respira por minuto, se respira de forma regular ou irregular e se a respiração é mais profunda ou superficial; e estar atento a sinais de alerta que indiquem hipoxia, isto é, quando a quantidade de oxigénio transportado para os tecidos do corpo é insuficiente. Estes são:
- Dificuldade ao respirar (se o seu filho faz “covinhas” na região do pescoço, entre as costelas e/ou logo abaixo das costelas, tal como se o nariz está a “bater palmas”;
- Palidez;
- Cor azul/arroxeada da pele;
- Alterações a nível do pulso – alteração do número de vezes que bate o coração por minuto e um pulso fraco;
- Irritabilidade/inquietação;
- Abatimento/apatia;
- Confusão/Desorientação.
Este tipo de tratamento tem custos para os papás?
A resposta é não. Quando um bebé internado tem previsão de alta para casa com necessidade de oxigénio é o próprio hospital que trata de todo o processo.
Tudo começa com uma prescrição médica onde será referido o tipo de equipamento que o bebé irá necessitar. O hospital irá entrar em contacto com uma empresa fornecedora deste tipo de material. A empresa em questão em articulação com o hospital irá igualmente entrar em contacto com os papás por forma a fazer uma visita a casa onde irão instalar e demonstrar o funcionamento de todo o equipamento para que os papás se sintam confortáveis no seu manuseio.
Antes da alta do bebé do hospital o equipamento como o oxigénio portátil e o monitor serão devidamente testados no bebé para garantir que tudo funcionará nas perfeitas condições.
Em síntese, é importante ter em atenção que, apesar do oxigénio ser uma terapêutica, em excesso também pode ter efeitos tóxicos: pode secar as mucosas (revestimento interno de cavidades do corpo, que contactam com o exterior), o que pode ser prevenido através da utilização de humidificadores; pode provocar alterações no pulmão e nos olhos (a nível da retina).
Desta forma, o oxigénio deve ser utilizado de forma cuidadosa, seguindo e respeitando as indicações e prescrições!
Referências utilizadas para a elaboração deste artigo:
- Adde et al. (2013). “Recomendações para oxigenoterapia domiciliar prolongada em crianças e
adolescentes”. Jornal de Pediatria. Vol 89. Nº1, p.6-17. - Tamez, R. N. (2013). Enfermagem na UTI Neonatal: assistência ao recém-nascido de alto risco.
5ª Edição- Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. ISBN 978-85-277-2212-4. - VitalAire (2016). Oxigenoterapia – Manual do Doente. Revista 3 (Março, 2016).
- VitalAire (2020). Oxigénio – Manual de utilização.
- Cuidados Respiratórios Domiciliários: Prescrição de Oxigenoterapia (acedido a 24/08/2021)
Referências das imagens:
- Figura 1 – óculos nasais
- Figura 2 – máscara de oxigénio
- Figura 3 – Fontes de oxigénio
Author: Rita Sousa
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